sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Fábrica de Sonhos

Esse é o último post deste ano. Sim, podem chorar (rsss). Fiquei durante essa semana pensando seriamente (ok, nem tão seriamente assim), no que escrever para encerrar mais um ciclo no blog. Ano passado, para encerrar, escrevi sobre expectativas para esse ano de 2012, principalmente no que dizia respeito aos avanços da humanidade nas questões básicas como erradicação da fome e da miséria, o fim da corrupção, etc, etc. Isso tudo, claro, em meio as "ameaças" de fim-do-mundo advindas de profecias de povos extintos (sim, Maias, estou falando de vocês!). Esse ano vou fazer diferente; não vou escrever sobre o que espero de 2013, sobre o que sonho ser um mundo ideal. Vou aproveitar esse espaço para homenagear aqueles que foram responsáveis pela criação do mundo dos sonhos, os irmãos Lumière.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Longe dos olhos, perto do coração

O que os olhos não vêem o coração não sente, diz o ditado. E é mais ou menos isso o que prega o roteiro de "A Origem dos Guardiões", nova animação da Dreamworks, escrita por David Lindsay-Abaire (baseado no livro de William Joyce) e dirigida por Peter Ramsey (de “Como treinar seu dragão”). Mas mai do que ver, é preciso acreditar. É com base nessa crença, nessa fé que as crianças têm nesses seres místicos que as visitam ao menos uma vez por ano, que esses seres, esses guardiões ganham seus poderes e se tornam seus guardiões, título dado pelo mais que místico "Homem da Lua" (seria Deus?).

O filme começa com o "nascimento" de Jack Frost, um ser místico que para nós brasileiros não quer dizer coisa alguma, visto que não temos neve no país (ok, nas serras gaúcha e catarinense neva, mas, convenhamos, isso não conta). Jack é um ser brincalhão, um Pan, cujo maior atributo é... fazer nevar! Como as crianças hoje estão carecas de saber que a neve cai do céu quando a chuva "congela", ninguém o vê, ninguém ao menos dá importância a ele. Isso há três séculos! O coitado brinca com as crianças, criando rampas de gelo, desenhos com flocos de neve e gelo, e tudo o mais, mas ninguém o vê, sequer menciona seu nome, o que o deixa deprimido. Quando um sombrio vilão conhecido como... Bicho Papão (!!!) ameaça a quietude das crianças, o "Homem da Lua" (que nunca aparece, é apenas o brilho da lua cheia, o que deixa tudo mais lúdico) percebe que sua liga precisa de ajuda para que as crianças continuem acreditando neles, ele decide que um novo guardião deve se unir ao grupo, Jack Frost é convocado a contra-gosto. Apesar de almejar ser acreditado e querido, ele não quer essa responsabilidade. Tudo o que ele quer é curtir a vida (?!). Mas o chamado é maior do que ele e é então que nossa jornada do herói toma rumo e o filme deslancha.

Recheada de tiradas que agradam crianças de todas as idades (principalmente àquelas que levaram as suas crianças ao cinema, como é de praxe nas animações modernas), o filme e uma excelente pedida para essa época em que a imaginação infantil e a fantasia estão sendo subjugados por gadgets modernos e consumismo exacerbado. A ação é contínua e as risadas são garantidas. Pra sair leve do cinema.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Belezinhas via Amazon Espanha: Tintin e E.T. (digibooks)

Minhas últimas compras desse ano chegaram da Amazon da Espanha, devidamente trolladas, digo, tributadas pela Receita Federal. Pelo menos o valor do imposto estava correto: absurdos 60% sobre o valor total da compra, incluindo o frete. Mas é final de ano, tia Dilma precisa comprar presentes para a família, é preciso deixar a mágoa de lado e aceitar o inevitável! 

Sem mais delongas, apresento a vocês o vídeo (quase 17 minutos!) de TINTIN e E.T., edições em digibook lindíssimas:


Tintin é todo legendado em PT-BR, sendo que o filme ainda vem dublado no nosso amado idioma, com as mesmas vozes do desenho animado. E.T. veio dublado e legendado em PT-PT, mas bem soft. Aliás, achei a dublagem até aceitável, e mais soft que as legendas. Mas não assisti o filme todo ainda, apenas algumas partes para certificar-me da qualidade. Apesar de alguns efeitos datados, o que fica evidente nessa remasterização, a imagem está magnífica e melhor! sem as interferências / alterações digitais feitas em 2002 (que o próprio Spielberg disse ter se arrependido. Ah, se George Lucas o escutasse....).

Gostou? Eis os links para as edições na Amazon da Espanha (coloquei links também para as outras edições de Tintin, incluindo a 3D):

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Questão de prioridade numa cidade sem


Essa semana começou um uma notícia no mínimo preocupante para a cidade do Rio de Janeiro: o elevado do Joá, que liga os bairro de São Conrado à Barra da Tijuca, margeando o costão da Pedra da Gávea, e por isso mesmo uma via (já saturada) de suma importância para o fluxo do trânsito da cidade, segundo estudos da COPPE da UFRJ está seriamente danificado e pode ruir num futuro próximo. A orientação dos especialistas, para tanto, seria não uma reforma, mas a reconstrução quase total da via. Para a prefeitura, no entanto, embora tenha acatado o laudo da COPPE, não há a menor razão para que essa atitude drástica seja feita, principalmente por não haver dinheiro para tal.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Belezinhas via Amazon-UK: Spartacus Especial Edition (digibook)

O título do post diz tudo. Sempre quis ter esse filme e finalmente o tenho em uma linda edição e com a melhor qualidade de som e imagem. Com vocês, SPARTACUS, de Stanley Kubrick:



Gostou? Garanta-o já em sua estante! Abaixo, o link direto para ele (e os outros títulos dessa coleção limitada) na Amazon do Reino Unido. Todos são região livre, ou seja, tocam no seu player, e têm opções no nosso idioma (Spartacus e King Kong apenas legendados em português de Portugal).


 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Belezinhas via e-bay: Harry Potter 4 Ultimate Edition

Hoje vou mostrar aqui a lindíssima Edição Definitiva de Harry Potter e o Cálice de Fogo. Bem, definitiva até que lancem outra, porque a dona Warner não vai perder a oportunidade de ganhar cada vez mais com essa sua mais valiosa franquia. Por mim, essa edição já está completíssima e estou satisfeito. Faltam agora, para fechar a coleção, os volumes 5, 6 e 7.

Fiquem com o vídeo:

Essa edição eu comprei no E-bay, na loja Red Tag, onde eu já havia comprado os volumes 2 e 3. Recomendadíssima a loja! Agora, se você preferir a "segurança" da Amazon, incluída ai seus impostos antecipados, é só clicar nos links abaixo (lembrando que a o primeiro filme é o único que não tem legendas no nosso idioma, nem dublagem):

   
   
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Veja também:

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Rei do Baião no telão


A relação entre pai e filho já rendeu ao cinema filmes notórios como "Em nome do Pai", de Jim Sheridan, com o oscarizado Daniel Day-Lewis e Kramer vs. Kramer, de Robert Benton, com os também oscarizados Maryl Streep e Dustin Hoffman. Faltava o cinema nacional um bom representante desse filão. Não falta mais. Baseado na dificílima relação entre Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e seu filho, o também músico Gonzaguinha, Breno Silveira trouxe ao grande público um emocionante, mas não perfeito, filme sobre a ascensão do autor de "Asa Branca", o hino do nordeste brasileiro, que mal conhecia o próprio filho.

Escrito por Patrícia Andrade, que teve como base as gravações que Gonzaguinha fez em fita cassete entrevistando seu pai, o filme acerta ao contar a origem humilde de Gonzaga desde que saiu acoçado de Exu, no sertão pernambucano aos 17 anos e alistou-se no exército (fase em que foi interpretado pelo talentosíssimo Land Vieira), até sua ascensão na rádio no Rio de Janeiro, dez anos depois, sem endeusar o artista; ele mostra os percalços dessa trajetória, que ajudam a entender como foi a sua formação.  Chambinho do Acordeon (uma gratíssima surpresa) dá vida a Gonzaga na fase adulta e Adelio Lima na sua fase mais madura, mas é Julio Andrade, inspiradíssimo, quem rouba a cena como Gonzaguinha (interpretado na sua pré-adolescência por Alison Santos e jovem por Giancarlo di Tomazzio). Julio já havia mostrado todo seu talento em "Cão sem Dono", de Beto Brant, e aqui, exprimi tão bem esse talento que, mesmo se não houvesse auxílio da maquiagem e do figurino, confundiria-se com o verdadeiro Luiz Gonzaga Junior, amargurado, com o ego ferido, com raiva do pai, que o "abandonara" com os padrinhos após a morte prematura da mãe, vítima da tuberculose, mas que mesmo assim não esconde a admiração e o amor que sente por ele. Em nenhum momento piegas, o filme ganha ritmo nos números musicais, mas o perde em excessivas e até desnecessárias inserções de material documental durante suas duas horas. Mas o público já está encantando com a reconstituição de época e as interpretações do grande elenco e talvez releve isso. 

Tecnicamente, o filme é impecável! Palmas para a direção de arte de Claudio Amaral Peixoto, para a montagem de Vicente Kubrusly, para o figurino de Clauida Kopke e Ana Avelar e para a fotografia de Adrian Teijido.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Skyfall nas alturas

Devo aqui confessar – e por favor, lembre-se de que todos têm seus telhados de vidro – que eu nunca assisti um 007 com o seu primeiro e mais famoso intérprete: Sean Connery. Mas em compensação, já assisti a todos os outros e gosto muito da série, mesmo com seus altos e baixos. Devo confessar também que, ao contrário da maioria, eu gostava muito, muito mesmo do bonachão Roger Moore como James Bond e nunca fui fã de Timoty Dalton, que para mim tem mais cara e pose de vilão do que  de herói. Pierce Brosnan veio ressuscitar o agente de Sua Majestade no cinema nos anos 1990 com elegância e até competência. Mas foi esse reboot com Daniel Craig que trouxe Bond ao século XXI nessa até então trilogia recheada mais que nunca de ação quase ininterrupta. E mesmo após um segundo filme (‘Quantum of Solace’) mediano (o filme só se salva pelos 15 minutos iniciais) a série, que completou 50 anos esse ano de 2012, ganha um reforço com esse Skyfall que, na minha humilde opinião, é um dos melhores filmes do personagem criado pelo escritor Ian Fleming, e arrisco dizer, o melhor dos três até então com Daniel Craig.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Belezinhas via Amazon: City of God

Mais uma belezinha chegou da terra do tio Sam, vindo na bagagem de um casal muitíssimo amigo (valeu Bia e Bone!). CITY OF GOD, a.k.a. Cidade de Deus, filme brazuca indicado a 4 Oscars e vencedor de diversos prêmios mundo afora. Por que compra-lo na Amazon? Ora, porque o filme NÃO FOI LANÇADO EM BLU-RAY NO BRASIL! Absurdo? Sim, e tem mais! Vejam o vídeo:



Gostou? Taí o link para a edição na Amazon (o da esquerda o blu-ray, o da direita, o DVD):


 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Abaixo a nossa história (2)

Vale tudo em prol do progresso? Nem tudo. Certamente não vale a destruição de um patrimônio histórico-cultural. No Brasil, claro, isso não é seguido. Em termos de história e preservação de nossa memória, somos   péssimo exemplo. Aqui, infelizmente, algo antigo é considerado velho e por ser velho pode ser descartado. Pouquíssimo, quase nada, na verdade, é preservado, principalmente quando o assunto é o conjunto arquitetônico.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Belezinhas via Amazon França: Scarface (Steelbook)

Mais uma belezinha chegou para mim diretamente da Amazon da França (taxfree! obrigado Mirella, minha prima querida!). SCARFACE! Um clássico da violência oitentista, mais uma obra prima com o selo De Palma - Coppola! Sem mais, fiquem com o vídeo:



Gostou? Veja todos os links para adquirilo na Amazon francesa. O segundo link é para um lindíssimo GiftSet, esse sim com o DVD do filme junto com o BD e também mais um disco com a (dispensável) cópia digital e outro com a trilha sonora:

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2012

Foi realizado na noite de ontem, no constrangedoramente vazio Theatro Municipal do Rio de Janeiro, mais uma edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, láurea da Academia Brasileira de Artes Cinematográficas dada aos que se destacaram na sétima arte no ano passado (leia-se: de julho de 2011 a julho de 2012). Num período de poucos filmes que realmente valiam a pena ser assistidos, e consequentemente premiados ou sequer indicados, "O PALHAÇO", de Selton Melo sagrou-se campeão na noite com doze troféus ganhos, de um total de 13 a que estava concorrendo. O mestre Cacá Diegues  (Bye Bye Brasil, Chica da Silva, Deus é Brasileiro), foi o homenageado da noite.

Selton Melo recebe o prêmio de melhor diretor por "O Palhaço". / Foto de "O Globo".

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Passeio pela Meca dos Nerds

Se você é fã incondicional de algum ítem da cultura pop, desde Guerra nas Estrelas (Star Wars é para crianças) a Walking Dead (tanto quadrinhos quando o fantástico seriado na TV), passando por gibis, desculpe, HQs de super-heróis e videogames de última geração, seu lugar é na Comic Con, seu Nerd! Sim, lá é a grande meca que todo Nerd (ou geek) deve almejar ir uma vez na vida. Eventualmente, irei a uma, não sei quanto. Mas espero que quando chegar a oportunidade eu curta tanto quanto as pessoas retratadas nesse novo documentário de Morgan Spurklock (de Supersize me). Em COMIC-CON: O SONHO DE UM FÃ (ou melhor, no original COMIC-CON EPISODE IV: A FAN´S HOPE, que é bem legal, fazendo alusão ao título do primeiro filme da trilogia de George Lucas), o diretor acompanha Eric e Skip, ilustradores que desejam ser descobertos, Holly, que trabalha com o desenho de fantasias e criaturas e participará do grande desfile de cosplays, Chuck,  um comerciante de quadrinhos em busca de uma grande venda, e James, que pretende fazer uma surpresa especial para sua namorada que conheceu na convenção do ano anterior.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Com amor e muita fúria

Ontem tive o privilégio de ser um dos convidados para a Premiér desse que pode vir a ser o divisor de águas na animação nacional de longas metragens: "UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA", de Luiz Bolognesi. Com o traço estilo mangá e lançando mão de recursos digitais em momentos específicos e muito oportunos, o filme conta a história de um amor eterno, que deve lutar contra as truculências do mundo até a sua redenção seiscentos anos depois. O amor, no caso, é de um guerreiro índio/entidade imortal pela índia Janaína (vozes de Selton Melo e Camila Pitanga, respectivamente), que, nesse verdadeiro épico, se reencontrará em mais três ocasiões: no século XIX, durante a revolta da Balaiada (período pouquíssimo estudado nas salas de aula e de suma importância, pois nos apresenta ao menos um importante vulto de nossa história, o Duque de Caxias), no século XX, durante a ditadura militar e num futuro distópico e não muito distante, onde a água é um bem mais precioso que ouro e milicias particulares comandam a "segurança pública" no Rio de Janeiro que se gaba de ser "uma das cidades mais seguras do mundo".

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Réquiem para o Rei

Você já quis ser outra pessoa? É essa a frase estampada no cartaz internacional desse filmaço argentino que assisti ontem no Festival do Rio, "El úlltimo Elivs", do diretor Amando Bo (responsável pelo roteiro de Biutiful, de 2010, e que também assina essa obra com Nicolás Giacobbone).

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A coleção invisível

Aproveitando a oportunidade, fui conferir mais uma Premier de um filme nacional na mostra competitiva de longas no Festival do Rio, no cine Odeon Petrobras, o último daquela praça que já fez mais juz a seu nome: CINELÂNDIA. 

Produzido por uma produtora baiana e totalmente rodado naquele estado, "A COLEÇÃO INVISÍVEL" conta a história de Beto, um empresário do ramo de eventos, mas garotão, que so quer curtir a vida adoidado com seus amigos, indiferente às dificuldades financeiras de sua empresa quase falida. Após a morte dos amigos num acidente de carro em que ele só não estava presente por um capricho do destino, ele se isola do mundo, deprimido, até que sua mãe, dona de um antiquário que outrora fora de seu pai, o instiga a ir atrás de uma valiosa coleção de gravuras de um artista baiano há muitos anos vendida por seu pai a um fazendeiro do cacau no interior do estado. Está dada a largada para um filme em que o personagem principal, interpretado com sensibilidade e - admito, uma grata surpresa - por Vladimir Brichta, parte rumo a uma viagem de auto-conhecimento e redenção, tão típicos a qualquer road-movie. Não que o filme dirigido pelo francês radicado na Bahia Bernard Attal e roteirzado por ele, Sérgio Machado e Iziane Mascarenhas seja efetivamente um road movie, mas os elementos estão todos lá: a estrada (mesmo que breve), os percalços, as peculiaridades e contrastes entre as cidades (no caso aqui entre a cidade grande, "civilizada", e um dos mais pobres municípios do interior baiano) e os personagens marcantes, quase caricatos, que contribuem para a "jornada do herói" em rumo a sua redenção. Destaque para o grandíssimo talento de Walmor Chagas, como o sensível fazendeiro amante das artes, dono da coleção que poderá salvar Beto e sua família da falência. 

A fotografia de Matheus Rocha e a música de Silvain Vanot completam essa bela experiência cinematográfica que sim, tem seus defeitos (como o mau aproveitamento da participação especial de Paulo César Pereio ou a falta de uma conclusão mais nítida para a resolução dos problemas de Beto), mas que mesmo assim vale o ingresso.

Mais Festival do Rio em: http://2012.festivaldorio.com.br


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O dia que durou 21 anos


Todos os anos o Festival do Rio inunda a cidade com mais de 400 filmes de todos os rincões desse mundo, divididos em mostras temáticas e também competitivas (para produções nacionais). Essas mostras competitivas dividem-se em longa de ficção, curta-metragem e longa documentário, mostra essa que traz a nata do cinema-verdade produzido em terra brasilis. Esse ano eu tive a grata oportunidade de assistir no Odeon, o cinema mais charmoso do Rio, a premier concorridíssima de "O DIA QUE DUROU 21 ANOS", longa de ficção de Flávio e Camilo Tavares (pai e filho), que trata de um tema já bastante usado em diversos longas, de ficção ou documentário, no cinema brasileiro: os anos de chumbo da ditadura militar.

A filha Pródiga

Considerado um dos autores mais criativos de sua geração, um exímio contador de histórias, Jefrey Archer presenteia seus fãs com uma bela continuação de CAIN E ABEL - sim, é uma continuação, muito embora possa ser lido sem culpa por quem não leu o primeiro livro. 

Ao invés de dar seguimento a saga da família Kane exatamente de onde CAIN E ABEL parou, em A FILHA PRÓDIGA Archer faz um "flashback" desde o nascimento de Florentyna e re-conta alguns trechos de sua obra-prima, mas desta vez sob a perspecitvas de outros personagens, o que torna tudo muito mais verossímel.  É fato que a trama possa parecer arrastada por alguns pontos, principalmente para quem leu CAIN E ABEL, mas a força dos diálogos de Archer e os personagens extremamente humanos envolvem o leitor. Destaque para a ficção que se passa no "futuro", entre 1985 e 1996. "Futuro" porque a obra é de 1982 e s acontecimentos narrados naquele período levam em consideração uma realidade geo-politica totalmente diversa da que realmente aconteceu - mas altamente plausível dentro do contexto

Se você gosta de personagens humanos, verdadeiros, e uma boa trama que envolve a constante busca por poder, esse livro irá lhe cair como uma luva. 


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Amizade improvável, filme intocável

A improvável amizade entre pessoas completamente diferentes é recorrente no cinema, seja ele em Hollywood, seja ele em qualquer outro lugar do mundo. Portanto, o francês INTOCÁVEIS (Intouchables), de Eric Toledano e Olivier Nakache não é nenhum sopro de originalidade. Mas o que o faz tão delicioso de assistir, além de inspiradas interpretações de Françoise Cluzet e Omar Sy (além de todo o resto do elenco) é o primoroso roteiro, baseado numa história real, escrito pelos próprios diretores que, se por um lado pecam quase em demasia por clichês, por outro brindam o espectador com diálogos inteligentes e tiradas sarcásticas, principalmente vindas de Driss, o ex-presidiário que todos gostariam de ter como melhor amigo, pelo menos numa mesa de bar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A piada do metrô-Rio (5)

Todos os cariocas e usuários do capenga sistema metroviário do Rio de Janeiro aguardavam ansiosos a chegada dos novos trens prometidos para o ano passado e que finalmente começam a dar as caras por aqui. Semana passada uma viagem inaugural oficial juntou no mesmo vagão o nosso (des)governadorm Sérgio Cabral, seu séquito, do qual fazem parte o secretário de transportes Julio Lopes (que aparentemente nunca usou os meios de transportes públicos na vida) e o prefeitinho do Rio de Janeiro, Eduardo Paes(palho), outro menino da Barra que nunca sequer andou de ônibus na vida, quiçá de metrô. De cara, os jornalistas que acompanharam a comitiva PMDBista nessa viagem flagraram algumas irregularidades no novo e moderníssimo trem, sendo a mais grave o desnível de quase dez centímetros entre os vagões e a plataforma,   Não é nada, não é nada, acidentes estão passíveis de ocorrer uma vez que a massa mal-educada usuária do metrô não respeita ninguém.  Isso sem falar na dificuldade enfrentada por cadeirantes e outros passageiros com alguma dificuldade de locomoção, como noticiou hoje O GLOBO (leia aqui a matéria). Para Cabral e sua turma, tudo está ótimo. O (des)governador chegou a alardear que a chegada desses trens seria o verdadeiro legado deixado para a cidade após as Olimpíadas de 2016. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Batman: ciclo fechado com maestria (ou não)



Não sei se foi o fato de ter sido um dos filmes mais esperados não somente do ano, mas dos últimos 3 anos, ou se foi o fato dele ser o anunciado e apoteótico capítulo final de uma trilogia de sucesso, como foi "O RETORNO DO REI", em 2003, ou simplesmente se eu estava tendo um ótimo dia (era dia dos pais). O fato é que ter assisto BATAMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE foi uma experiência cinematográfica ímpar, com direito a palmas no final e vontade absurda de re-assistir a fita.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Surrealismo da Divina Comédia

Hoje pude conferir a exposição que desde 27 de julho (encerrando em 2 de setembro) está ocupando a Galeria 3 da Caixa Cultural, aqui no Rio: Dali - A divina comédia. Nada mais, nada menos que gravuras de Salvador Dali interpretando a famosa Divina Comédia, de Dante Alighieri. Para quem não sabe, Dante foi penta escritor e político na idade média e é considerado o pai da língua italiana. A Divida Comédia é sua obra mais importante. Salvador Dali foi um dos maiores nomes do surrealismo e a ele foram encomendadas pelo governo italiano nos idos de 1950 essas gravuras para comemorar os 700 anos de sua criação, por Dante. 

Dante
Dalí contou com a ajuda dos gravadores Raymond Jacquet e Jean Taricco, que fizeram 35 placas com 3500 blocos xilográficos para traduzir as aquarelas peça por peça. Nos anos 60, as xilogravuras foram publicadas em forma de livro por uma editora francesa, ilustrando em seis volumes as obras completas com o texto de Dante.

Para quem quiser conferir, é uma boa pedida para a hora do almoço!





A CAIXA CULTURAL fica na Av. Almirante Barroso, esquina com Av. Rio Branco, coladinho no metrô da Carioca. A exposição é aberta de terça a domingo, das 10h as 22h, e o ingresso é gratuito.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Belezinhas via Amazon-UK: Twister

Eis que a Amazon da terra da Rainha está mais eficiente que nunca e em 10 dias me entrega essa belezinha: TWISTER. Nada de especial na edição, mas é um filme de ação bem bacana, inédito em Terra Brasilis, com legendas PT-PT, região livre e um precinho bem camarada.

Vamos ao vídeo!

 

 Gostou? Taí o link para a compra na Amazon do Reino Unido, que NÃO COBRA IMPOSTOS ANTECIPADOS. Aproveite!


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Belezinhas via Amazon: Casablanca Edição Especial de 70 anos

Agora sim! Aproveitando a viagem de um amigo meu a trabalho a terra do tio Sam, pedi que fosse entregue em seu hotel (chupa Receita) essa mais do que bela edição de um dos filmes mais importantes da história de Hollywood - e do cinema, por assim se dizer: CASABLANCA! Essa edição traz o filme restaurado em 4 K num disco recheado de extras. O outro disco contém também vasto material sobre o filme e sobre sua época. O terceiro disco é um DVD com o filme e um documentário sobre o diretor. TUDO LEGENDADO  EM PORTUGUÊS BRASILEIRO, inclusive os extras (no DVD apenas o filme é legendado). Não bastasse isso, a dublagem clássica está presente no filme tanto no BD quanto no DVD.

Vamos ao vídeo!

 

Gostou da edição??? Segue o link para a Amazon, lembrando que ela está cobrando antecipadamente os impostos, o que encarece em 95% o pedido.  Infelizmente não há essa edição em outro país... Se preferir, também há apenas a edição simples do filme que, aliás, também está a venda na Amazon UK, que não cobra antecipadamente os impostos (e está enviando as encomendas bem rapidinho!).



quinta-feira, 26 de julho de 2012

A piada do Metrô-Rio (4)

Analisando o mapa da nossa cidade (ainda) maravilhosa, realmente fica difícil imaginar um planejamento metroviário por vias subterrâneas já que nenhuma rua ou avenida da cidade parece ter sido planejada, o que, além da topografia peculiar da cidade, dificulta o avanço do metropolitano para outros cantos que não o Linhão do Cabralzão. Dificulta. Mas não impossibilita. Claro que por conta de ruas estreitas e montanhas, algumas expropriações são necessárias, mas o bem maior à população e à sociedade valeria a pena. 

Então, venho aqui apresentar mais uma etapa de meu sonho de um metrô melhor e mais integrado, que realmente atenderia a população carioca (porque, apesar de ser estadual - não sei porquê - é um serviço que é prestado diretamente a população da cidade e seus visitantes, sejam turistas ou trabalhadores). Lembro que não sou engenheiro nem nada parecido, apenas um entusiasta do melhor meio de tranporte de massas que um centro urbano pode ter.

Nesse post, eu mostro duas linhas chamadas aqui de 7 (azul) e 8 (vermelha).

Esquema das linhas. Clique para ampliar.


A Linha 7 seria uma linha de suma importância para os moradores da zona norte da cidade, pois ligaria o Grande Méier ao centro, desafogando imensamente o trânsito e também as já saturadas linha 1 e 2. Sua implementação não seria muito difícil, pois viria por baixo da rua Barão do Bom Retiro, passando pelo Grajaú e Vila Isabel, por baixo da Av. 28 de setembro, e indo entrar nos antigos trilhos da Linha 2 (infra-estrutura pronta) e seguindo o que seria o curso original desta pelo centro, até a Praça XV (estação que receberia ainda os trêns vindos da linha 3, caso ela um dia atravesse a Baia de Guanabara, e da linha 5 (paralela a Linha 1, vinda da Zona Sul e que passa pelo aeroporto Santos Dumont e vai até a Rodoviária - mostrada aqui neste post).

As estações da Linha 7 seriam:

1- Engenho Novo (com conexão para a supervia);
2 - Barão do Bom Retiro, esquina com a rua da Romana;
3 - Parque do Recanto;
4 - Barão de Drumond;
5 - 28 de Setembro (esquina com Gonzaga Bastos);
6 - UERJ;
7 - Maracanã / Maracanazinho (vindo por debaixo da Rua Prof. Eurico Rabelo)
8 - São Cristóvão (com conexão para Linha 2 e Supervia);
9- Praça da Bandeira;
10 - Estácio;
11 - Praça da Apoteose;
12 - Praça da Cruz Vermelha;
13 - Carioca (com conexão para as Linhas 1 e 2);
14 - Praça XV (com conexão para as Linhas 3 e 5);

OBS: uma estação entre a UERJ e a Praça da Bandeira seria uma idéia a ser estudada também.

A Linha 8 seria uma linha auxiliar, ligando o Meier à Tijuca, por de baixo das rua s Borja Reis e Dias da Cruz, passando por um túnel paralelo ao Túnel Noel Rosa, cruzando com a Linha 7 na Praça Barão de Drumond, em Vila Isabel, e indo por de baixo da Rua Uruguai, onde teria ligação com a Linha 1 ou poderia ela mesma seguir pelo maciço da Tijuca até a Gávea e a Linha 1, ao invés de fechar um arco, seguir para a Usina. Algo a se pensar.

As estações da Linha 8 seriam:

1.  Monteiro da Cruz (Linha Amarela);
2.  Borja Reis (esquina com a rua Dr. Bulhões);
3 - Dias da Cruz (esquina com rua Souza Aguiar);
4 - Dias da Cruz (esquina com rua José Veríssimo);
5 - Praça Agripino Grieco (com conexão para a Super Via na Estação Méier);
6 - Engenho Novo (com conexão para a Linha 7 e para a Super Via na Estação Engenho Novo);
7 - 24 de Maio (esquina com rua Antunes Garcia);
8 -  Praça Barão de Drumon (com conexão para a Linha 7);
9 - Maxwell;
10 - Carvalho Alvin;
11 - Uruguai (com conexão para a Linha 1);

O que achou?! Impossível? Nunca! Basta vontade política.


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sábado, 21 de julho de 2012

A noite já passou (2)


Minha avó  fez parte da minha vida por 37 anos. Ela fez parte da vida de meus primos por muitos mais anos! Por isso, ela passou essa sensação de que era eterna, de que sempre estaria aqui por perto, ao nosso lado, brindando-nos com seu amor e sua sabedoria. Mas seus quase 101 anos pesaram sobre ela por conta de um infortúnio e por isso ela partiu. Mestra até o fim, não perdeu a oportunidade de, no auto de sua sabedoria e cultura geral, sem falar na paixão pela história francesa, nos dar uma última aula: o dia em que se foi, 14 de julho, se comemora a queda da Bastilha.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Não tão espetacular assim


Há exatos 10 anos e dois meses estreava nas telas do Brasil (e também mundo afora) o filme que mudaria para sempre a forma de se contar uma história em quadrinhos de um super-herói nos cinemas: “Homem-Aranha”, dirigido por Sam Raimi e escrito por David Koepp (baseado no personagem criado pelo lendário Stan Lee, em parceria com Steve Ditko) trazia Tobey Maguire no papel do adolescente novaiorquinho, tímido, inteligente, fã de fotografia, criado pelos tios idosos e apaixonado pela vizinha Mary-Jane (Kirsten Dunst), que viria a ser picado por uma aranha geneticamente alterada (nos gibis a aranha era radioativa, numa sincronia com seu tempo, a década de 1960) e se transformaria no “amigão da cidade”, defensor mascarado de Nova York e perseguido pela polícia e pelo editor do Clarin Diário, J. Jonah Jameson (J.K. Simmons, em inspirada interpretação), aliás, seu chefe no jornal para o qual ele vende fotos.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Belezinhas via Amazon: ALL ABOUT EVE (bd-book)

Enviado dia 19 de abril, prometido para 25 de maio, chegou dia 06 de julho. Obrigado Operação Maré Vermelha! Pelo menos chegou! Filmaço em linda apresentação, e com áudio e legendas no nosso idioma!




Gostou? Está aí o link amazônico!





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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Senhora Princesinha


Hoje o bairro mais famoso do mundo - ouso dizer - completa 120 anos! Antes da abertura do túnel velho, em 1892, Copacabana era um areal encravado entre a enseada e as montanhas e seu acesso era muito difícil, mais ou menos como hoje é a praia do Abricó, na zona oeste do Rio de Janeiro. Aliás, a história se repete agora para a região de Guaratiba, que acaba de receber o ponta-pé inicial para início de sua urbanização ferrenha com a abertura do túnel da Grota Funda.

Voltando a Princesinha do Mar, eterninazada na música do saudoso maestro Tom Jobin (e em versos de tantos outros), fica aqui a reflexão de como os anos não lhe fizeram bem. Outrora refúgio do "caos urbano" que era o centro do Rio de Janeiro do final do século XIX e início do XX, hoje ela representa, na minha humilde opinião, tudo de ruim que o crescimento desenfreado e desorganizado de uma cidade pode ter: ocupação desordenada, favelização, prédios e mais prédios (a maioria, perdoem-me seus habitantes, horrorosos e clássicos exemplos da terrível arquitetura dos anos 1950), trânsito caótico, prostituição e delinquência. Há, claro, ainda algumas ilhas de tranquilidade em meio a esse caos, como o Bairro Peixoto, encravado no coração de Copacabana, que me é muito especial. Mas no geral, Copacabana é a síntese da música "Rio 40 graus", de Fernanda Abreu: "purgatório da beleza e do caos".

Um paraíso ainda em expansão.

Claro, não posso ficar apenas exaltando tudo de ruim que Copacabana tem. Seria de muito mal gosto. De bom, posso apontar a lindíssima orla, com seu calçadão tombado, os fortes do Leme e de Copacabana, o mundialmente famoso hotel Copacabana Palace, o já citado Bairro Peixoto, o cinema Roxy (que mesmo dividido em 3 continua com seu charme), e... e só. Infelizmente. A impressão que dá, pelo menos para mim, é que se uma vez o bairro foi a menina dos olhos do Rio, hoje esses olhos estão sofrendo com uma catarata difícil de ser curada. Ok, a analogia pode ter sido péssima e talvez desnecessária, mas seria muito bom que o caos da Copacabana do início do século XXI desse lugar a tranquilidade de 100 anos atrás, com seus casarões e sobrados e tendo apenas  imponente e majestoso Copa (o hotel) destacando-se na paisagem. 

O Copa. Sem mais...


Como isso é impossível, que pelo menos nos próximos 120 anos a Princesinha tenha tratamento Rainha e receba um banho de loja, com pelo menos mais uma linha de metrô (a larga avenida Nossa Senhora de Copacabana está ai para ceder seu leito), indo até o Leme, a Urca e seguindo para o Centro, de modo a desafogar o trânsito nas ruas e o caos da Linha 1. Que as casas centenárias que sobraram não mofem e venham a cair, que sejam preservadas como peças de um museu a céu aberto. Que as favelas que enfeiam seus morros possam ser contidas ou mesmo - Deus seria louvado! - removidas, de modo que o verde voltasse a predominar suas encostas. E por ai vai...

De qualquer modo, meus parabéns ao bairro e seus ilustres e orgulhosos (ou não) moradores. Que venham mais 120 anos!

E te cuida Guaratiba (e Pedra e Barra...). Seu futuro pode ser tão tenebroso quanto é o de Copa...



Um ótimo link sobre a história de Copacabana:
http://vanesalopez.wordpress.com/pesquisas/copacabana/

terça-feira, 3 de julho de 2012

Rio, patrimônio de quê?




Pois é, mais uma vez o Rio de Janeiro (e o Brasil, de lambuja) ganhou as manchetes do mundo com a escolha da cidade pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Que bom, que maravilha, mas... o que isso significa? Que de uma hora para outra o povo e seus governantes ficarão mais sérios, educados, conscientes de sua posição no panteão histórico e a cidade vai voltar a ser realmente a maravilha dos trópicos? Suas ruas ficarão limpas e sem trânsito? As praias serão todas despoluídas e a areia sem um pedacinho que seja de papel ou plástico? Nossos rios e lagoas e maravilhosa Baia de Guanabara serã despoluídos? Trens, barcas e metrô (não me atrevo a entrar na seara dos BRTs e ônibus) serão baratos, eficientes, chegarão a todos os pontos, desafogando o trânsito e contribuindo para amenizar a poluição? Os hotéis serão mais aconchegantes, menos caros? Aliás, haverá mais hotéis na cidade? Nossas ruas serão mais seguras, o crime organizado (ou não) vai mesmo deixar as pessoas de bem em paz? A policia vai ser eficiente, menos corrupta? Os políticos serão honestos? A educação pública municipal e estadual vão voltar a dar exemplos de qualidade? A especulação imobiliária vai ser freada e os preços dos imóveis vão voltar ao patamar aceitável? Aliás, a especulação vai ser freada e nossos imóveis históricos (sobrados e mansões centenárias) vão ser preservados? A cultura da cidade vai ser preservada?

Fica a dica para refletirmos sobre a real necessidade e merecimento até desse título em detrimento a outras cidades, algumas milenares e de suma importância cultural e histórica para toda a humanidade.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Belezinhas via Amazon: Dr Zhivago (digibook)

Demorou, mas chegou! Na verdade, o que chegou foi o reenvio, pedido em maio, porque o pedido original, enviado em 1o. de fevereiro, com estimativa de chegada para 23 daquele mês, perdeu-se, escafedeu-se, sumiu nas marolas da Operação Maré Vermelha. Então, sem mais delongas, fiquem com o vídeo em que apresento mais essa belezinha: o digibook (ou bd-book) do clássico DOUTOR JIVAGO!


Gostou? Quer encarar mesmo com a cobrança antecipada de impostos pela Amazon (o que, aliás, ainda assim vai ser mais barato que comprar aqui)? Taí o link!


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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Belezinhas via Amazon francesa

Depois de um hiato maior do que eu gostaria, eis que retorno aqui com mais belezinhas via Amazon. E pela primeira vez da Amazon da França! Oui, messier! Vamos ao video:




 Links para os BDs apresentados no vídeo na Amazon da França:


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terça-feira, 19 de junho de 2012

O último suspiro de Roma

Ler um bom livro é sempre gratificante. Muitas mais gratificante é ler um bom livro sobre um tema que nos interessa a ponto de querer consumir mais e mais sobre esse tema, seja em livros, em revistas ou em documentários e filmes. E foi muito gratificante ler A ÚLTIMA LEGIÃO, do italiano Valerio Massimo Manfredi (lançado aqui pela editora Rocco), que conta a história do último suspiro do outrora poderoso e influente império romano e o nascimento de um mito. 

Narrado em terceira pessoa, mas com uma proximidade magnífica de seus personagens, Manfredi fala da tentativa de salvar o que sobrou da antiga Roma na pele de seu último imperador, Romulus Augustos, então com 13 anos, que fora deposto por uma horda de bárbaros a mando do imperador do oriente, Odoacro. Aprisionado na ilha de Capri, Romulu e seu mestre Ambrosinus são resgatados pelo capitão Aurélio com a ajuda da jovem arqueira Mira e outros legionários sobreviventes do massacre perpetrado por Odoacro. Traídos, eles partem numa jornada pelos territórios romanos rumo a ilha bretã onde, segundo o mestre Ambrosinus, originário daquelas terras, uma profecia se realizará com a chegada do rei-menino, que de posse da espada poderosa trará paz a Bretanha.

Lançando mão de diálogos pomposos, com tempos verbais usados naquela época, e descrevendo com clareza sons, sabores e texturas das paisagens por onde os aventureiros em fuga passam em sua jornada, Manfredi apresenta  uma obra deliciosa de se ler, com trechos tensos e um final glorioso, onde a esperança num futuro melhor é apresentada.

Pena, muita pena que a adaptação de Hollywood para essa obra tenha sido tão fraca, transformando uma aventura tensa em um filme infantil e mal feito... O filme de 2007 foi dirigido por Doug Leffer (artista gráfico responsável por vários storyboards em Hollywood) e estrelado por Collin Firth e Ben Kisnley (coitados...).

Cartaz do filmeco. Não assista!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Quase Famosos


"It's all happening!"

Nesse fim-de-semana eu reencontrei velhos amigos. Pois é assim que me senti ao re-assistir “QUASE FAMOSOS”, obra prima que o diretor e roteirista Cameron Crowe rodou lá nos idos de 2000, baseado em fatos de sua própria adolescência, quando precocemente, aos 15 anos, acompanhou a banda The Alman Brothers por uma turnê pelos Estados Unidos a pedido da revista Rolling Stone. No filme, o auter-ego de Crowe, William Miller (Patrick Fugit), é convidado pelo próprio Ben Fong-Torres, editor da famosa Rolling Stones, a escrever uma matéria para a revista e William indica a banda em ascensão STILL WATER. Está dada a largada para a aventura de uma vida. E que aventura!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sete dias com Marilyn


O que poderia acontecer quando um jovem herdeiro apaixonado pela sétima arte resolve largar a segurança do lar abastado e ir tentar a sorte na produtora de ninguém menos que Sir Laurence Olivier? Uma aventura inocente, a busca pelo aprendizado... Agora, junte-se a isso o fato de sir Laurence estar produzindo, dirigindo e atuando ao lado de ninguém menos do que a diva da época, Norma Jeane Mortenson, mais conhecida como Marilyn Monroe! Esse mote, a princípio pouco expressivo, se tornou um filmaço nas mãos do diretor Simon Curtis, advindo da TV britânica, e de quebra lhe valeu duas  indicações ao Oscar deste ano: melhor atriz para Michele Williams (Marilyn) e de ator coadjuvante para o shakespieriano Kenneth Branagh (Sir Laurence).

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Maré de prejuizos ao consumidor



Você provavelmente já fez alguma compra pela internet. E talvez já tenha experimentado comprar em lojas internacionais, como a gigante Amazon, espalhada pelos quatro cantos do mundo, dos EUA ao Japão. Isso sem falar no E-bay, maior site de classificados on line. Se você, como eu, é um dos milhares de brasileiros que descobriram que comprar lá fora é mais barato que aqui dentro, além de termos possibilidade de obter produtos de melhor qualidade, também está sofrendo com a demora nas entregas, que em alguns casos já ultrapassam quatro meses desde a compra. E não é por acaso essa demora: está em vigor, conforme já escrevi aqui, a Operação MARÉ VERMELHA da Receita Federal.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O declínio da antiga classe média


Nos últimos anos,  um fenômeno ligado exclusivamente ao desenvolvimento do país na década passada, o que gerou maior distribuição de renda, chamou a atenção de estudiosos (sociólogos e “ociólogos”) e principalmente do mercado: o crescimento da classe média, ou a já famosa “nova classe C”. Mas se por um lado podemos festejar que mais pessoas saíram da linha da pobreza e adentraram no maravilhoso mundo do poder de consumo parcelado em até 18 vezes no cartão, devemos lamentar que a antiga classe média (e média alta, se é que ela existe mesmo no Brasil) esteja sendo subjugada por essa nova.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Programa (muito bom) de índio!


Cansado do seu cotidiano? Cansado de acordar cedo e enfrentar essa selva urbana diariamente? Cansado da cidade grande e seus estresses? O que você faria então para se livrar disso tudo e viver a aventura de sua vida? Bem, certamente muita gente pararia na terceira pergunta e continuaria suas lamúrias até o fim de seus dias, ou no máximo tiraria um fim-de-semana num hotel-fazenda. Pois graças a Deus existem pessoas que não se limitam a isso ou, quando muito, bradam que natureza só no Discovery Channel ou no Naticonal Geoagrific Channel. Existem pessoas que estão dispostas a jogar tudo para o alto e sim viver a grande aventura de sua vida e, de quebra, expandir as fronteiras do país, desbravar seus sertões e matas e lutar pela preservação da natureza e tudo o que ela agrega e representa. São pessoas como essas que o filme XINGU, de Cao Hamburger, nos apresenta; mais especificamente os irmãos Villas Boas, que deixaram o conforto da civilização, fizeram-se de analfabetos e embarcaram na expedição Roncador-Xingu como os grandes bandeirantes do século XX.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Belezinhas via Amazon (UK): Platoon

Olá amigos! Tem muito tempo que não faço um post sobre minhas compras na Amazon, não é? Mas há uma desculpa boa para isso - aliás duas: a primeira é que realmente não tenho comprado muito por simples falta de din din mesmo; a segunda é porque nossa amada e estimada Receita Federal está segurando em seus depósitos TODAS as encomendas por pelo menos 90 dias, principalmente aquelas vindas dos EUA, no intuito de "proteger os interesses da indústria nacional". Muito louvável, claro, mas há de se separar alhos de bugalhos! Uma coisa é proteger a indústria nacional, outra é prejudicar aqueles que gostam de arte (da sétima arte, vamos dizer assim) e colecionam Blu-rays e DVDs cujas edições não são vendidas aqui ou, quando muito, são vendidas por preços exorbitantes. 

Bem, sem mais delongas, uma comprinha chegou até que bem rápido, vindo da Amazon do Reino Unido. PLATOON foi postado para mim dia 23 de abril e chegou dia 08 de maio, ou seja, apenas quinze dias depois.  É ou não é pra comemorar?!

Então, assista ai o vídeo que fiz do "unpacking" dessa belezinha (que, aliás, é muito simplezinha...).


O filme e os extras são todos legendados em português brasileiro. Ah, e o filme também é dublado, com áudio 5.1 DTS. Me pareceu ser a dublagem original remasterizada.

Gostou? Segue aqui dois links para compra-las nas Amazons. Nos EUA ainda vem acompanhada do DVD (não saberia dizer se tem legendas ai).



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domingo, 6 de maio de 2012

Avengers: a vingança de Hulk

Abram alas para o Hulk! Sim, isso mesmo que você leu. Afinal, finalmente tivemos um filme a altura do monstro verde mais querido da garotada depois do Shrek (bem, isso depende de quantos anos você tem)! Com dois filmes no currículo, um sofrível, outro meia-bomba, mas até que divertido,  poderia-se dizer que seria o adeus ao controverso herói das telonas por muito tempo, mas depois de OS VINGADORES, dirigido por Joss Whedon (que também assina o roteiro em parceria com Zack Penn),  dificilmente não teremos outro filme da carreira solo do verdão.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Cotas raciais num país sem raça


Numa manobra extremamente populista, em pleno ano eleitoral, Supremo Tribunal Federal, cujos magistrados não são eleitos pelo povo, mas indicados por quem o povo elege, decidiu pela constitucionalidade das Cotas Raciais em universidades.

Os que defendem a absurda lei alegam que ela vem reparar séculos de exclusão social num país cuja Constituição diz que todos são iguais perante a lei, independente de cor de pele, e credo e classe social (o que todos sabemos que não é verdade, não na prática).  Na minha humilde opinião isso é pura balela. Se a lei supostamente está defendendo aqueles que sofrem por conta de sua condição racial, não estaria ela mesma segregando esse grupo e, pior ainda, inflando mais ainda o discurso racista ao dizer que apenas com uma cota esse mesmo grupo poderia entrar na universidade pública? Sim, é isso mesmo! A lei está dizendo que se você é negro (ou afro-descendente, vá lá), mulato, pardo, “moreninho”, você é um coitado que não tem condições de estudar para passar para uma faculdade de bom nível. E por isso mesmo você tem o direito de tirar uma vaga de um branquelo, filhinho-de-papai, mauricinho que teve a sorte de nascer com a cor certa e apenas por isso teve condições de estudar em boas escolas e com isso angariar conhecimento suficiente para passar para uma faculdade federal.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cinema show de bola


Romário? Ronaldinho Gaúcho? Adriano? Felipe Bastos? Todos esses são fichinha perto de Heleno, o Maldito. O filme de José Henrique Fonseca (do ótimo “O Homem do Ano”), escrito por ele e por Fernando Castets e Felipe Bragança, conta de maneira, se não cem por cento fidedigna, mas muito honesta a queda deste que foi um dos maiores jogadores de futebol do Brasil, na década de 1940. Heleno foi o precursor dos futebolistas farreiros da atualidade. Primadona convicto, ele se considerava o único jogador do Botafogo, seu time do coração, pelo menos o único com talento e amor a camisa e negava-se até a treinar por conta disso (Alô, Romário?). Colocava sem pudores a culpa em todo o time, até no técnico e nos dirigentes, caso o alvi-negro falhasse. Além disso era um boêmio, um bon-vivant galanteador. Culto e educado, advogado de formação, colecionava conquistas amorosas, até mesmo depois de casado, e  não dispensava um bom champagne no Copacabana Palace.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mais espelhos

Aproveitando o post de ontem sobre o (fraco) filme "Espelho, Espelho meu", deixo aqui um video que achei por acaso no Vimeo que ilustra de forma muito divertida a briga diária que 10 em cada 10 mulheres (acredito que até Gisele Bündchen sofra desse mal) tem com o espelho.


Gostou? Não?! Comenta ai!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Espelho fajuto


Espelho, espellho meu, existe filme infantil mais chato do que o seu? Sim, existe! Isso porque ainda há no mundo da sétima arte uma máxima a ser derrubada, queimada e entrerrada com uma pá de cal que diz que filmes infantis têm que tratar crianças como debilóides. “Mirror mirror”, do indiano  Tarsem Singh , na verdade tenta escapar dessa sina mas não consegue muito.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PAZ GUERREIRA


Escrever sobre filosofia, acredito, não deva ser tarefa fácil. Mais difícil ainda conquistar leitores que não sejam estudiosos dessa cadeira. O curitibano Talal Husseini conseguiu, porém, escrever uma história atemporal com requintes épicos e profundos ensinamentos filosóficos. 

Em suas mais de 700 páginas, Talal reuniu uma gama de personagens cativantes, não obstante alguns deles deveras caricatos, como se quisesse espelhar neles os mais diversos defeitos e qualidades presentes na humanidade.  Lançando mão de ensinamentos adquiridos ao longo dos anos na arte marcial Nei Kung (onde  a filosofia alia-se ao aspecto marcial na busca de valores atemporais como justiça, ética e sabedoria) e mais do que isso, dos ensinamentos da escola grega de dramaturgia, ele conta a jornada do herói de forma quase ipsi literis, e provavelmente  por isso muitas semelhanças com elementos de outras aventuras da literatura e do cinema, que podem até soar como plágio, aparecem no decorrer da narrativa e o leitor mais atento vai logo perceber isso. “Super-homem”, “Senhor dos Anéis”, “Guerra nas Estrelas” e até mesmo “Matrix”, este o exemplo mais pop, por assim se dizer, da união da filosofia com a sétima arte, podem ser identificados na história.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Dama de Pedra (conto)


Lembro como se fosse ontem –  ou mesmo hoje de manhã! –  a primeira vez que pus meus olhos em você, ou pelo menos a primeira vez que notei que você faria parte de minha vida, que seria meu destino conquistá-la, uma vez que sempre esteve ali, tão perto, mas a mesmo tempo tão distante. Eu tinha oito anos, recém completos, e meu pai havia me levado à praia de São Conrado, naquele tempo ainda bem limpa, para pescar junto ao costão da que viria a se chamar Avenida Niemeyer –  futura via de acesso àquela praia um tanto selvagem ainda, cercada pela mata atlântica e cujo único testemunho da presença humana eram duas ou três casas de pescadores à beira da estrada que levava à mais desértica ainda Barra da Tijuca, por entre a floresta.

Meu pai não era verdadeiramente o que se pode chamar de “o pescador”, mas após uma semana inteira de dedicação ao trabalho sobre uma prancheta do Ministério, algumas horas apenas ouvindo a melodia das ondas do mar, intercaladas com o som dos berros das gaivotas –  e ocasionalmente a excitação por ter a isca mordida por um peixe –  eram o suficiente para ele, como se fosse uma terapia. 

Normalmente ele não me levava a essas pescarias, mesmo porque eu, no alto de meus oito anos, certamente tinha coisas melhores a fazer do que ficar em silencio quase absoluto, colocando pedaços de minhocas vivas ou camarões secos nos anzóis –  minha tarefa básica como ajudante do pescador. Eu queria estar longe dali, no alto de uma árvore na fazenda de minha tia-avó no interior de São Paulo, talvez, ou andando de bicicleta com meus amigos na praça do Bairro Peixoto, onde morava. Lembro-me bem da pirraça que fazia sempre que meu pai resolvia me chamar para acompanhá-lo nessas pescarias, e de como era convencido pela minha mãe a ir.

– Um menino deve passar o maior tempo possível ao lado de seu pai –  ela dizia.

De alguma maneira eu sabia que ela estava certa, mesmo com tão pouca idade, e na verdade eu gostava de fazer companhia a ele, quando ele ia comprar algo na mercearia da esquina, quando ia colocar gasolina no carro, até mesmo quando ia ao trabalho, onde eu o admirava desenhando mapas sobre a prancheta, mas nunca, nunca, quando resolvia ir pescar, porque eu sabia que, mais do que um interminável passa-tempo, e nojento, diga-se de passagem, eu não o ouvia falar nada. Era como se um manequim estivesse ali ao meu lado; pouco se mexia, a não ser para lançar e recolher a linha e, eu imaginava, mal respirava.

Em todo o caso, ali eu estava, sentado na areia, nela  desenhando um cowboy com um graveto, sem dar a mínima para as ondas que sempre o apagavam, muito menos para o estático do meu pai, que fumava um cigarro sem encostar-lhe os dedos, fazendo com que as cinzas acumulassem no pitoco e caíssem apenas com a ajuda da gravidade. O dia estava meio nublado, o que tornava aquilo tudo muito mais chato. Eu precisava sair dali!

– Pai, quero fazer xixi –  avisei, mais como uma desculpa para me afastar dali.

– Levanta e faz ai na água, ora.

Olhei fixo para ele, constrangido e um tanto irritado. Claro que eu costumava urinar na frente dele no banheiro de casa, mas ali, com algumas pessoas olhando, era demais! Ora, eu tinha oito anos! Era praticamente um adolescente! Era ultrajante me sujeitar àquilo.

Meu pai me olhou e percebendo que eu queria mesmo era me distrair um pouco, longe dali, me deixou ir me aliviar nos arbustos atrás de nós, perto de onde havíamos parado o carro.

Foi aí que tudo aconteceu. Por alguma razão divina, como se fosse uma conspiração da natureza, as nuvens se dispersaram um pouco, por um breve instante, mas o suficiente para os raios do sol me chamarem a atenção para o brilho que se refletiu em seu rosto. Eu fiquei sem ar, lembro, e aquele instante me pareceu eterno. Ver você ali, olhando para o nada, praticamente ignorando minha presença, tendo o sol a banhar sua face, refletindo a umidade que lhe escorria da testa, foi como uma visão do paraíso, e eu nem me importei que minhas partes estavam à mostra.

Esse mágico instante foi interrompido por meu pai me chamando para ajudá-lo a apanhar uma tainha que mordia à isca. Não sei quantas vezes teve que me chamar até eu ouvi-lo, mas certamente foi o bastante para o deixar nervoso.

Voltei para a casa com seu rosto em minha mente e um único pensamento: você vai ser minha!

Os dias, as semanas, os meses e até os anos se passaram e sempre que meu pai ia pescar, eu agora me voluntariava para ir com ele, e insistia em ir à São Conrado. Eu tinha certeza de que aquele momento mágico se repetiria sempre que eu a visse, mas claro que meu pai não sabia disso e, assim como minha mãe, apenas ficou admirando por minha súbita vontade de acompanhá-lo.

Mas por algum motivo, com o passar dos anos, meu pai desistiu da pescaria e eu fui forçado a me afastar de você. Eu sabia que podia vê-la de longe, mas isso não me bastava; eu precisava estar perto, cada vez mais perto. Mas era difícil, até mesmo para um adolescente, naquela época chegar até você.

Eu tinha quatorze anos quando dei meu primeiro beijo. Foi com a menina que eu amei durante toda àquela fase conturbada da minha vida, e não me envergonho de você ter sido testemunha desse beijo, mesmo porque você tinha sempre a atenção voltada para longe de mim, embora você soubesse que eu estava ali, eu sentia isso! 

Muita coisa aconteceu em minha vida e posso dizer com certeza que você foi testemunha de quase tudo, mas eu queria você, eu tinha que conquistá-la. Eu sabia que outros já haviam tentado, alguns outros conseguido, mas nenhum deles, com certeza, com a mesma paixão que eu sentia. “Você vai ser minha!”, prometia  a mim mesmo.

– Você está louco! –  meus amigos diziam.

– É muito perigoso! –  minha mãe dizia.

Mas eu só tinha olhos para você então. E já tinha dezoito anos; ninguém poderia me impedir. Eu já havia praticado em outras e, sim, havia me machucado. Mas a sensação de se chegar lá era como receber o beijo de um anjo, era... era como estar em harmonia com o universo! 

Por isso, naquela manhã de outono, munido de apenas um sanduíche de presunto e um cantil, eu me embreei naquela mata. A umidade era tanta que eu poderia ter ido a uma cachoeira e não ter me molhado tanto. Mas a excitação era tanta que eu não parei um segundo. Eu ia chegar até você custasse o que fosse. Nem mesmo os insetos me importunavam. E o medo de me perder deu lugar à raiva por estar segundo a trilha aberta por aqueles que antes de mim chegaram até você primeiro.

Mas a cólera passou ao, de repente, me deparar de frente a sua face, que agora parecia ainda mais bela, mais brilhante, e parecia piscar para mim, embora mantivesse o olhar para o horizonte. A alegria que aflorou em mim era tanta que meu coração parecia querer pular para fora de meu peito. Minha respiração ficou mais difícil e minhas pernas finalmente foram vencidas. Ajoelhei e fiz uma prece. Agradeci a Deus por ter vencido, por Ele ter me dado forças para estar aqui, junto de ti. Terminada a prece, agachei-me e lhe dei um beijo.

Sentado a seu lado, observei a cidade do Rio de Janeiro, que crescia mais ainda a olhos vistos, mas ali, contigo, tudo era pequeno. Só nós existíamos e tínhamos por testemunha a mãe-natureza, que nos brindava com um sol ameno e um lindo céu azul.

Foram anos e anos de espera mas finalmente nos encontramos. Você é minha, minha! Eu sempre soube que você estava a minha espera, desde aquele dia em que o Criador revelou seu rosto para mim. E para sempre estaremos juntos. Eu e você. Minha Pedra da Gávea.





Conto de minha autoria, em 2009.
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