quarta-feira, 27 de maio de 2015

Lá e de volta outra vez - mas bem furiosa

Faz uma semana que assisti no cinema a nova aventura do herói oitentista Max, o louco Max, e durante esse tempo fiquei matutando o que eu poderia escrever afinal sobre o filme, novamente dirigido por George Miller. Debati muito no Facebook sobre os prós e os contras do filme com gente sensata - e também com fanboys, que só enxergam o que querem enxergar. Descobri que nunca tinha assistido o primeiro (e quase indy) filme da saga e pus-me a faze-lo. Reassisti o segundo filme e não precisei rever o terceiro para entender o que afinal estava se passando com Max em "A ESTRADA DA FÚRIA" que, afinal, não é nem continuação, nem remake, mas sim uma obra revisitada pelo seu criador.

Miller, com MILHÕES DE DÓLARES à disposição e depois de três décadas dedicadas a filmes bem mais densos ("O óleo de Lorenzo, de 1992") e até "para família" ("Babe - o porquinho atrapalho", "Happy Feet"), resolveu brincar de Deus (afinal, não é isso o que fazem os diretores de cinema???) e dar um reset no mundo criado por ele lá em 1979. O resultado, no entanto, ficou frenético demais. E cru. Se por um lado ele entrega ao espectador um espetáculo visual (e que espetáculo!), por outro ele falha feio em não conseguir contar uma história. Nada, simplesmente, nada faz sentido no roteiro. Não... estou sendo exagerado. Há elementos no roteiro, assinado com Brendam McCarthy e Nico Lathouris, que são poesia pura, e outros que podem até provocar êxtase, principalmente naquels fanboys, com frases de efeito, como "What a lovely day!" (algo como "Que dia magnífico!", em tradução livre), ou "Whitness this!" ("Testemunhem!").

A direção de Miller, associada à fotografia de Jon Seale, à direção de arte de Shira Hockman e Jacinta Leong, e à edição de Margareth Sixel, são um colírio para olhos secos e arranhados de poeira do deserto. O visual dos veículos naquela eterna perseguição pelo deserto são um espetáculo a parte e merece todos os louros! As cenas de ação (ou seja, 95% do filme) são sensacionais e chegam a tirar o fôlego quase literalmente. Eu estava cansado ao final da sessão!  Mas não havia história. Miller se atreveu a escrever um filme para os fãs e se esqueceu de que o cinema tem um público vasto e que precisa ser iterado do que está acontecendo, dar um background aos personagens. É claro que nem tudo precisa ser explicado ipsi literis, o que só tornaria enfadonho o filme. Mas pinceladas sobre quem é, de onde veio e para onde quer ir um personagem é importante. E não falo somente de Max não. Aliás, Max, pelo visto, é o que menos importa na fita! Ele é coadjuvante em seu próprio filme, que é todo de Furiosa (interpretada por ninguém menos do que a deusa Charlize Theron). Talvez o carisma que sobre a Charlize falte (e muito) a Tom Hardy (Max), que precisa urgentemente aulas de dicção, a não ser que queria ser dublado em seus próximos filmes (aliás, se não me engano ele já foi dublado em outras produções, como "INCEPTION").

Eu não me identifiquei nem me apeguei a nenhum personagem, nem à gloriosa Furiosa de Charlize, muito menos ao Max ou às semi-deusas modelos Vitoria Secret que os acompanharam durante a aventura. Eu pouco me importei com seus destinos. E isso é um tiro pela culatra em qualquer roteiro. Quanto a gente não torce por personagem nenhum, o que sobra é muito, muito pouco. E no filme de Miller, o que sobrou foi poeira, explosões e carros em velocidade. Só. Isso, para mim, está longe de ser cinema.



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Parem o mundo! quero descer!



Que mundo chato estamos vivendo hoje - e perpetuando para nossos filhos!

Não podemos fazer nada! Nem dizer nada! Nem rir de nada!

Não podemos falar mal do (des)governo do PT sem ser taxado de "coxinha" ou de imperialista.

Não podemos falar mal do neo-liberalismo, assim como não podemos defender os interesses da classe trabalhadora, que já somos chamados de comunista!

Não podemos rir de uma piada de pobre que somos rotulados de escravagista!

Não podemos ser a favor da diminuição da maioridade penal porque senão nos acusam de querer botar bebês inocentes na cadeia; mas também não podemos ser contra porque nos acusam de ser coniventes com a criminalidade;

Não podemos xingar ninguém de filho-da-puta sem sermos quase linchados como machistas, porcos-chauvinistas, mesmo quando está implícito de que estamos xingando a pessoa, não sua progenitora.

Não podemos dizer "Neguinho isso", ou "neguinho aquilo" (o que no Rio de Janeiro é vírgula, como se estivéssemos dizendo "malandro isso" ou "malandro aquilo", por exemplo) sem que temamos um processo por crime de racismo.

Não podemos virar para um amigo ou colega e dizer "Deixa de ser viadinho!", quando ele está com alguma frescura, sem que a patrulha LGBT venha com paus e pedras nas mãos nos taxando de homofóbicos e intolerantes.

Não podemos nem dizer "Amém!" que alguém vem nos lembrar que o país é laico, mas esquece-se de que devemos respeitar o direito do cidadão à qualquer religião.

O mundo está muito intolerante!

Parem, que eu quero descer!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Avante (ou não) Vingadores!

Uma das maiores expectativas do ano no mundo do cinema, o filme que abriu a temporada de blockbusters do verão norte-americano, parece que bateu na trave, na opinião humilde deste que vos escreve, utilizando um jargão futebolístico; afinal, o filme estreou aqui primeiro! Ao que tudo indica, a toda poderosa Marvel pode errar a mão sim. O que é normal!

Joss Whedon volta ao comando do mais aclamado (pelo menos no momento) time de super-heróis, mas parece não ter feito o dever de casa. Aluno aplicado, depois de uma excelente nota na primeira prova, com ego inflado, ele não estudou e se deu mal no segundo exame. O filme começa até muito bem, com um plano sequência de tirar o fôlego com os Vingadores invadindo uma instalação da HYDRA para reaver um cetro com a pedra do infinito, numa alusão direta à cena pós-créditos de "Capitão América 2", mas para os menos atentos ou para aqueles que não acompanham todo o universo Marvel, seja no cinema, seja na TV, aquele início ficou meio estranho: de onde vieram os heróis? De repente estavam ali, unidos? De onde veio a missão? Ok, ok, ok, isso pouco importou depois de concluída a demanda, que teve o Incrível Hulk como destaque (aliás, como sempre).

Joss pecou principalmente no roteiro, assinado por ele, que jogou personagens a esmo, como se precisasse cumprir alguma cota para os próximos filme da Marvel, e deu injustificável importância a outros, como os gêmeos Pietro e Wanda, ou Mercúrio e Feiticeira Escarlate, cuja ausência na história não faria a menor diferença, e o próprio herói Arqueiro, que ganhou família, casa e um draminha melacueca "a la novela das seis" que só serviu para esfriar (demais) a ação. Totalmente dispensável.

O filme ainda carece da ausência de um grande vilão. Ultron, criação de Tony Stark e Bruce Banner, "engrandecido" pela pedra recuperada na missão do início do filme, segundo conhecedores do universo Marvel, não chega aos pés daquele das HQs. Muito bem desenvolvido pela computação gráfica do filme, e engrandecido pela interpretação de James Spader, que lhe deu voz, o Ultron do filme não chega a assustar e solta piadinhas e indiretas a todo o momento, como se fosse um Tony Stark em I,A. Soou forçado. Assim como soou extremamente forçada a participação de Nick Fury (Samuel L. Jackson) e sua grande aparição com o "porta-aviões" da S.H.I.E.L.D. no final para salvar o dia.  E também como soou forçado o flerte entre Dr. Banner e Natasha Romanoff, a Viúva Negra (Scarlet "oh my god! how delecius you are!" Johanson).

Mas é claro que a produção tem seus acertos, lógico, não é uma bomba completa. A computação gráfica, já citada aqui, é uma delas. As cenas de ação são seu ponto forte também! Mas a expectativa criada ao longo dos últimos dois anos com fotos de bastidores e trailers e mais trailers não foi recompensava pelo produto final. Certamente teve mão de produtor aí, o que é uma pena.

Que venha a fase 3 da Marvel e que esse universo seja melhor conduzido no futuro!

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Participei do Podcast NERDSTATION, do site Território Nerd, sobre o filme, juntamente com dois feras no assunto. Para escutar, clique aqui!


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Belezinhas via Amazon: the Criterion Collection

Demorou, mas está aí mais um vídeo de minha coleção, agora com dois blu-rays da Criterion Collection! Dois clássicos OBRIGATÓRIOS para qualquer cinéfilo: HAROLD AND MAUDE ("Ensina-me a viver") e 12 ANGRY MEN ("!2 homens e uma sentença").


 

Gostou? Se quiser encarar o dólar a R$ 3,10, os links para as edições estão aqui embaixo:


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